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NOTÍCIAS E DICAS
Postado em 11/02/2015
Não Há Flexibilidade Sem Estabilidade
Uma das maiores preocupações dos praticantes de CrossFit é a flexibilidade. Realizar exercícios que requerem grande amplitude de movimento como pistols e overhead squats reforçam essa preocupação fazendo com que atletas mergulhem em torturantes seções de alongamento e massagem, muitas vezes desnecessárias e pouco efetivas.

Para entender a correlação entre mobilidade e estabilidade e por que o alongamento estático clássico e a massagem nem sempre são a melhor solução para aumentar a flexibilidade é primeiro necessário entender o que se está querendo modificar no corpo quando se alonga. Ao contrário do senso comum o maior causador da inflexibilidade não são as fibras musculares. Há sim pessoas que devido a lesões ou anos de má postura desenvolveram fibroses que tem que ser rompidas mecanicamente para que suas fibras musculares se movam livremente, mas na maioria dos casos a ordem para manter os músculos rígidos e contraídos vem do cérebro.

Esse é um mecanismo de segurança do sistema nervoso. Ele impede que as pessoas se coloquem em posições instáveis e portanto de risco que podem levá-las a lesões. A prova da existência desse mecanismo é que a maioria dos indivíduos tem amplitude de movimento completa sob anestesia, ou seja, assim que se desliga o sistema nervoso há um relaxamento muscular e suas articulações se movimentam livremente.

Mas e o rolinho?

Tanto o rolinho quanto o alongamento estático funcionam, mas não pelos motivos esperados, grande parte de sua eficácia é devido ao fato de que a tensão exercida direciona um estímulo ao cérebro indicando que é necessário reduzir a tensão na área. Por se tratar de um reflexo neurológico e não uma ação mecânica, mais tempo de esforço ou mais força não necessariamente significa maior efetividade.

A Chave Está na Estabilidade

Quando o corpo, principalmente a coluna vertebral está estabilizada, não há motivo para o cérebro derrubar a chave que permite a total amplitude de movimento.

O processo para chegar nesse ponto começa com a recuperação da curvatura natural da coluna, primeiramente nas posições em que é possível ter um maior apoio externo como deitado, em quatro apoios e ajoelhado por exemplo.

Passa por um processo de fortalecimento de estruturas que não apresentam a força necessária. Um atleta que deseje realizar um pistol sem a a força de quadril requerida irá sobrecarregar o quadríceps e arredondar as costas, o que é um ótimo motivo para o cérebro boicotar o movimento,

Por fim é necessário criar força posicional, criando indicativos para o sistema nervoso que aquelas posições são seguras e é nesse momento que muitos crossfitters falham, ou por pressa ou pela cultura do esporte. Ninguém consegue sentar no fundo do overhead squat de forma sólida sem passar muito tempo nessa posição, e ou por desconhecimento ou por preguiça é comum ver a maioria dos atletas nos boxes saindo do snatches ou overhead squats o mais rápido possível, geralmente de forma desajeitada e desequilibrada. Além de passar mais tempo nas posições de maior amplitude de movimento, outras ferramentas fundamentais são alongamentos com facilitação de propriocepção neural (em breve faremos um post sobre o assunto) e os alongamentos ativos como a elevação de pernas em posição carpada.

Independente da forma de se abordar os problemas de flexibilidade é importante compreender que a maioria deles está ligada a um problema de instabilidade que é a raiz da dificuldade e sem resolver ela primeiro o esforço de ganhar mais amplitude de movimento se torna doloroso e pouco produtivo.
Fonte: http://barsnrings.wordpress.com/category/mobilidade/

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